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- Data Luminus -


EIS QUEM VOS ESCREVE

Debson Luís nasceu em Ibaté, interior de São Paulo, no dia 24 de março de 1977.

Em 1985, mudou-se para Aparecida do Taboado, Mato Grosso do Sul, onde sobrevive atualmente.

Em 1999, formou-se em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e, no momento, conta lorotas nos Ensinos Fundamental e Médio e em curso preparatório para vestibulares.

Nas horas vagas (que são muitas), se dedica (tenta, na verdade) às suas crias: o Manifesto Navegante e o Data Luminus (seu fotoblog).


Aqui, neste espaço, todo domingo, ele (pretensiosamente) comenta as notícias que acha as mais importantes da semana.

Enfim...


Quem gostar, "a gente agradecemos", "a gente damos" boas-vindas e, claro, "a gente queremos" que volte sempre!

Quem não, "a gente agradecemos" do mesmo jeito, "a gente damos" boas-vindas também e, claro, "a gente queremos" que volte sempre!


Será?! E por que não?


 

 

 


MANIFESTO NAVEGANTE ESTÁ DE VOLTA

Prezados amigos e visitantes,

Antes que vocês comecem a me xingar, quero dizer que estou muito feliz por estar colocando o Manifesto no ar outra vez.

Sei que é a segunda vez que mudo de endereço este ano e o quanto é chato ter de se acostumar com novos endereços, mas garanto que, dessa vez, é definitivo!

Já citei aqui o MN inúmeras vezes. O criei em 2001 e, desde então, publico meus textos na Internet. Como muitos já sabem, o servidor que o hospedava parou repentinamente de funcionar, me obrigando a o abandonar. Alguns meses depois, criei o Persona Non Grata e, posteriormente, o Post Scriptum.

Confesso, todavia, que, desde meus primeiros contatos com o mundo dos blogs, eu almejava transferir para este formato o Manifesto. Mas meu ínfimo conhecimento em HTML e afins não me permitiu criar um template adequado para o velho MN. Só que neste fim de semana, depois de muitas tentativas, consegui!

Por isso, vos convido a participarem comigo da retomada do Manifesto Navegante a partir do dia 15 de novembro, no endereço http://br.manifesto.zip.net.

Espero, mais uma vez, contar com a compreensão de todos e os aguardo em meu antigo lar.

Abraços a todos!

Publicado por Debson Luís - [ ]



A MEMÓRIA SELETIVA DO TIO SAM (A MAIOR AMEAÇA)

O jornalista americano Larry Rother (do New York Times), autor daquela matéria onde o presidente Lula é acusado de alcoolismo, no último dia 31, aprontou mais uma das suas. Dessa vez, ele publicou um artigo no qual alerta ao mundo do "perigoso" programa nuclear brasileiro.

O mérito da questão está muito bem discutido na Folha de São Paulo, que em uma matéria também publicada no mesmo dia, apresenta o cerne dos argumentos de Rother. Quem se interessar, pode ler o artigo da Folha clicando aqui.

O que pretendo, neste artigo, é levantar outra questão. Questão que me assusta muito mais que ao resto do mundo em relação às nossas "vis pretensões". A questão da justificativa para uma intervenção. Pouco me importa a quantas anda o tal programa nuclear. Há quem aplauda, há quem repudie e há quem pouco se importa (meu caso), pois não sei até que ponto dominar tecnologia nuclear pode ser útil. Enfim, isso é pauta para uma outra discussão. Então, voltemos ao caso Rother.

Em seu artigo, o jornalista afirma que há motivos para se desconfiar do Brasil em sua pretendida empreitada nuclear visto que, nos anos 80, vendemos ao Iraque, por meios ilícitos, urânio enriquecido. Podemos supor, a partir desta afirmação, que o Brasil, na época, contribuiu para que o país de Saddam construísse armas nucleares.

Rother nos acusa de usarmos o nosso "jeitinho" para driblar leis internacionais e que, segundo esse princípio, pelo nosso próprio benefício, nada nos impediria de colocar nas mãos de "países trapaceiros" material que, supostamente, serviria ao terrorismo internacional.

O resumo da ópera é o seguinte: nossa tecnologia nuclear assusta o mundo na medida em que o Brasil, que não respeita as leis internacionais, poderia vender urânio enriquecido a países que abrigam terroristas, que usariam nosso produto na fabricação de armas de destruição em massa.

Eu gostaria de fazer duas perguntas o mr. Rother: 1º) Por que, nos anos 80, quando o Brasil vendeu ilegalmente ao Iraque urânio enriquecido, os Estados Unidos não interferiram e impediram que tal crime se perpetrasse? E 2º) Por que só agora os americanos estão preocupados com a possibilidade de vendermos nossa tecnologia aos terroristas?

Não precisa responder, mr. Rother, pois a reposta é óbvia: conveniência. Nos anos 80, convinha aos Estados Unidos fazer vistas grossas ao nosso ato ilegal porque, então, o mundo vivia sob a tensão da Guerra Fria, onde o Iraque (apoiado pelos "yankes") estava envolvido em conflito contra o Irã (subsidiado pela União Soviética), tornando, portanto, conveniente ao Tio Sam que vendêssemos aos iraquianos nosso urânio enriquecido. Hoje, os Estados Unidos temem que possamos praticar a mesma ilicitude de 20 anos atrás, o que alimentaria a maior ameaça à sua hegemonia: o terrorismo.

É importante refrescar a memória de mr. Rother quanto ao terrorismo. Os Estados Unidos são o maior responsável por essa aberração. Eles são a maior causa de todo esse medo que assola o mundo. Eles são, enfim, a origem de toda a violência que ora impera. Afinal, quem deu poder a homens como Saddam Hussein? Quem forneceu armas e treinamento a sujeitos como Osama Bin Laden? Quem fabrica as armas que são usadas nas guerras africanas ou pelos traficantes daqui do Brasil? Quem discursa em favor de um Estado palestino autônomo, mas apóia Israel em suas incursões militares? Quem foi que apoiou, em passado recente, ditaduras sanguinárias e incompetentes que aprofundaram o caos social na América Latina?

O Brasil, certamente, é quem não foi.

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JACK O'LANTERN VERSUS SACI PERERÊ

Já há alguns anos que vimos incorporando uma festividade tradicional nos EUA: o Halloween. Essa tradição não teve origem na América do Norte e, sim, na Europa, por volta do século IX, entre os celtas, quando a Igreja Católica já comemorava o dia de todos os santos ("all hallows eve", em inglês).

Conta-se que antes desse dia (em 31 de outubro), os mortos, em forma de espírito, voltavam em busca de um corpo para possuírem, de modo que esta seria a única chance de voltarem à vida. Para evitar serem possuídos, os vivos apagavam as tochas e fogueiras, fantasiavam-se de monstros e saíam às ruas com o intuito de assustar as almas ansiosas pelo retorno.

Foram colonos irlandeses que levaram aos EUA essa tradição, no século XIX. Desde então, o Halloween é comemorado por lá. E, agora, começamos a tornar tradicional tal festa aqui, no Brasil.

Entre as brincadeiras do Halloween, a das fantasias é complementada por outra que usa a expressão "trick-or-treat" (que, no português, se transformou em "doces-ou-travessuras"). Isso é também de origem irlandesa. Segundo se sabe, no dia 2 de novembro (dia dos mortos), as pessoas praticavam um costume conhecido por "souling" (almejar), no qual se distribuíam uns tais "soul cakes" (bolos de alma). Cubinhos de pão embebidos em groselha, na verdade. Ao receber seu pedaço, o sujeito deveria fazer uma prece pela alma de algum ente querido que já houvesse morrido.

O símbolo máximo do Halloween são, sem sombra de dúvida, as abóboras enfeitadas, cujo nome tem origem em outra lenda européia: Jack O'Lantern (Jack da Lanterna). Diz-se que o tal Jack, que era um tipo muito brincalhão, certa vez enganou o Diabo. O fez subir numa árvore e, em seu tronco, desenhou uma cruz (o que impedia o Satanás de descer de lá). Jack propôs um acordo com o Tinhoso: que o deixaria descer, desde que ele nunca mais viesse atrás de sua alma. Quando morreu, Jack não pôde entrar no céu, por causa de seu mal comportamento, e o Diabo não o aceitou no inferno (uma vez que fora por Jack enganado). O "sem-nome", num ato falho de extrema bondade, deu a Jack um pedaço de carvão em brasa para que ele pudesse retornar em meio à escuridão. Para que a chama durasse mais, o carvão foi posto em um nabo oco. Assim, o fulano ficou conhecido como Jack O'Lantern. Como nos EUA abóboras eram mais abundantes, os colonos passaram a usá-la na confecção das lanternas.

Depois dessa breve aula de história sobre o Halloween, caberia uma pergunta, no mínimo, instigante: será que não possuímos lendas próprias, trazidas pelos colonizadores europeus que vieram para cá, que nos permitissem uma comemoração mais com a nossa cara?

Alguém conhece a lenda da mula-sem-cabeça? E do Saci Pererê? E o Caipora, o Boitatá? Há, sim, inúmeras lendas que dariam um charme todo brasileiro ao Halloween. Halloween? Por que não "Dia das Almas Penadas" ou "Dia dos Sacis"? E por que tem que ser no dia 31 de outubro, quando temos o dia 9 de setembro (dia de São Cosme e São Damião)? Em Portugal, é nesse dia que se sai às ruas pedindo doces! Eles trouxeram isso para o Brasil, mas essa tradição resiste somente em algumas regiões do país, infelizmente.

O fato é que o Jack O'Lantern está dominando tudo por aqui. Mas isso, um dia, vai mudar. Vai mudar no dia em que o Saci vier pulando feito doido sobre sua única perna, esmagando todas as lanternas de abóbora que encontrar pelo caminho!

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QUE VENÇA O MELHOR PARA O BEM DE TODA A HUMANIDADE

Que o tio Sam manda no planeta não é novidade. Todos sabemos que, na condição de superpotência econômica e militar, os EUA são os que dão as cartas do destino do resto do mundo, razão pela qual, nos quatro cantos do globo, observam-se atentamente as eleições norte-americanas para presidente.

Em recente pesquisa de opinião, constatou-se que se o mundo pudesse votar em algum dos principais candidatos, o democrata John Kerry esmagaria nas urnas o republicano George W. Bush. Não é para menos sua impopularidade perante à opinião pública mundial, já que, ao abrir a temporada de caça ao terrorismo, produziu-se o efeito colateral de eclodirem novos atentados em diversos países (especialmente, nos que apoiaram a invasão ao Iraque).

Até a alguns dias atrás, se eu pudesse votar em um dos candidatos, seguiria com a maioria dos demais terráqueos: votaria em John Kerry. Entretanto, um fato me chamou a atenção e me fez cair em profunda reflexão.

Os principais veículos de comunicação norte-americanos declararam abertamente apoio a Kerry. O porta-voz de tal atitude da imprensa imperial foi o New York Times. Em um de seus editoriais, o NYT critica duramente a política externa dos EUA, sobretudo no que diz respeito ao combate ao terrorismo, de forma que a mesma, da maneira como é conduzida pelo presidente Bush, compromete os interesses nacionais norte-americanos.

Isto significa que George Bush, mais que uma ameaça ao resto do mundo, é a seu próprio país, na medida em que compromete seus interesses! Portanto, após pensar muito a respeito, cheguei à inevitável conclusão de que, para nós, o melhor é que Bush vença as eleições!

Independentemente de quem vencer por lá, a guerra, Terra afora, já está instalada. E, se Bush permanecer no controle, quem mais vai se estrepar nessa história são os EUA.

Sendo assim, que se reeleja, para o fim da supremacia norte-americana e, conseqüentemente, para o bem da humanidade, George Walker Bush! E ponto.

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UM BOM PRESENTE PARA OS PROFESSORES

Na condição de professor, não poderia deixar de manifestar, neste dia 15, alguns de meus pontos de vista quanto à minha profissão.

Todos nós sabemos da importância do papel social do professor, na medida em que ele transmite, difunde o conhecimento. Cabe a ele a responsabilidade pelo crescimento intelectual e cultural de nossas crianças e, em conseqüência disso, o aprimoramento da sociedade em sua totalidade.

Todos nós reconhecemos, portanto, que o professor é peça fundamental na transformação do mundo em um lugar melhor para se viver. Entretanto, todos vemos que, a cada dia, degrada-se esta profissão e não se trata, especificamente, em razão dos baixos salários. É evidente que a má remuneração está entre os fatores degenerativos do magistério, mas seria tolice atribuir a tal fato toda a culpa por esse processo de deteriorização profissional pelo qual vem passando a classe há décadas. Existem, também, muitos problemas estruturais, como a falta de material didático adequado, o que não permite o pleno desenvolvimento de aulas que poderiam atingir o máximo de seu potencial, levando seus alunos a um maior aproveitamento ou mesmo o espaço físico da escola, onde se coloca numa sala, em média, 50 alunos quando o ideal seria entre 25 e 30 estudantes por classe.

E não adianta jogar a culpa só nas costas do governo. Claro que é dele a obrigação de oferecer ensino de qualidade à população, pagando aos professores bons salários e lhes dando as melhores condições possíveis de trabalho, mas a sociedade também tem sua parcela de culpa.

Em primeiro lugar, compete ao professor lutar para a melhoria das condições que beneficiariam sua categoria. A arma que ele dispõe para tal fim é a greve. E é justamente quando os professores apelam para a greve que a sociedade erra. E feio! Ao invés dos pais de alunos abraçarem com os professores a causa que visa a melhoria da qualidade da educação que é dada a seus filhos, voltam-se contra eles! Acusam-nos das mais vis atrocidades e exigem seu retorno às salas de aula quando o alvo deveria ser o mantenedor do sistema de ensino público: o governo. À medida que os pais se afastam dos professores, as reivindicações destes caem no descrétido e, aí, acontece, fatalmente, aquilo que faz com que a greve seja odiável: dias perdidos e mínimas conquistas. Tão mínimas que a educação continua, praticamente, na mesma situação anterior ao movimento.

O ensino público brasileiro é lastimável e, enquanto pais e professores estiverem em lados opostos, isso se perpetuará. Se este país não oferecer meios para um ensino que privilegie qualidade (ao invés de quantidade), estaremos condenados ao subdesenvolvimento.

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O PIOR DOS MALES: A IGNORÂNCIA

Na postagem anterior, comentei a respeito do crescimento do neonazismo na Europa e, mal publicara o artigo, saí visitando outros vários blogs quando, de repente, deparei-me com um que me chocou.

Evidentemente, não citarei seu endereço e, tampouco, o nome de seu autor, apenas sua idade aproximada (assim como está no perfil descrito): entre 15 e 19 anos.

Lá, entre frases de Ernest Heminghway, Santo Agostinho e John Kennedy, encontrei citações de Hitler e seus comparsas.

Provavelmente, o rapaz é vítima de sua própria ignorância ao ter como referência jargões do tipo "a melhor arma política é a arma do terror" ou "a crueldade gera respeito" ou "não queremos que nos amem, queremos que nos temam". É fácil falar quando se pretende ser o provedor do terror ou da crueldade. Será que este pobre infeliz já se colocou na condição de vítima de algum destes métodos? Certamente, não, pois, se o tivesse feito, pensaria bem diferente.

Ocorre com esse coitado uma outra vertente muito mais perigosa daquilo que tomamos por desilusão. Como impera em nosso meio o descaso político e, conseqüentemente, o caos social, ele vê como única maneira de se colocar ordem nas coisas o autoritarismo. Neste âmbito, não há discurso mais sedutor que o nazista. Nutre-se, assim, uma simpatia perigosa. A simpatia leva à propensão. E a propensão pode se transformar em resultado eleitoral, como acontece atualmente na Alemanha. Por que não podemos permitir o desenvolvimento desse tipo de ideologia, principalmente aqui, no Brasil?

Existe uma infinidade de motivos, a começar pelo racismo. O nazismo prega a pureza de uma raça pretensiosamente superior que conduziria a humanidade ao pleno desenvolvimento político, social, econômico e cultural. A função das "raças inferiores" seria servir aos interesses dos "super-homens". Seria mais ou menos como em Atenas da Antiguidade, onde os cidadãos se preocupavam com o desenvolvimento de seu intelecto através da arte e da filosofia enquanto o trabalho braçal era realizado pelos estrangeiros e escravos. A questão é: quais são os critérios que definem a superioridade de uma raça em relação às demais? Mesmo que existissem tais discrições, isso seria totalmente incompatível com a realidade de nosso país, onde impera a miscigenação racial. Em função disso, qualquer um de nós é visto, portanto, pelo nazismo como pertencentes a uma casta inferior. Em outras palavras, ser simpático às idéias de Hitler por esses lados é burrice em seu mais alto grau. É o absolutismo da ignorância. É o império da mediocridade.

Falta a este rapaz muita informação. Na verdade, o que lhe falta é sentir na pele a discriminação. O dia em que ele conhecer um autêntico nazista europeu, ele entenderá a gravidade do erro que comete agora.

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BUSH, GUERRAS, GLOBALIZAÇÃO E NEONAZISMO

O planeta parece estar caminhando na direção do recrudescimento das hostilidades, da exacerbação do nacionalismo e da revitalização do xenofobismo. E, de alguma forma, isso tem a ver com a maneira como é conduzido todo o processo de globalização pelos EUA.

Na Europa, cresce assustadoramente a aversão aos migrantes, principalmente aos oriundos do continente africano. Lá, assim como cá, o desemprego assola e vagas que surgem, mais especificamente na área da construção civil, são preenchidas pelos estrangeiros originários de países mais pobres, o que termina por fomentar a xenofobia e o fortalecimento de movimentos neonazistas. Na Alemanha, por exemplo, verifica-se o significativo crescimento eleitoral do Partido Nacional-Democrata (NPD - Nationaldemokratische Partei Deutschlands). Migrantes do Leste Europeu, assim como da América Latina, também são duramente hostilizados.

Os EUA, sob o comando do presidente George W. Bush, vêm praticando uma política externa extremamente agressiva e não só no sentido do que eles chamam de combate ao terror, que culminou na invasão do Afeganistão e do Iraque, mas, especialmente, na imposição de um modelo econômico que desestrutura socialmente os ditos países em desenvolvimento, acentuando a desigualdade, provocando recessão, desemprego e, conseqüentemente, a migração a centros mais desenvolvidos.

Aos que pensam que a situação não pode piorar, vale lembrar a Lei de Murphy que diz: "quando se pensa que não há meios de piorar, piora". A globalização, da maneira como se impõe, não permite muita mobilidade aos governos, que tomam decisões de mãos atadas e geram, em virtude disso, insatisfação popular. Eleitores insatisfeitos são perigosos, pois descrêem da classe política e, nas eleições, partem para o protesto: votam naqueles que julgam eleitoralmente desprovidos de competitividade. O resultado disso quase sempre é catastrófico, uma vez que se beneficiam disso ideologias extremistas e perigosas, como ocorre na Alemanha em relação ao neonazismo.

E é estupidez pensar que nós, aqui no Brasil, estamos imunes a esse tipo de perigo, visto que corremos o risco de uma hora elegermos, por descuido da desilusão, políticos com inclinações fascistas. É necessário desconfiar daqueles que criticam com veemência a migração (seja ela interna ou externa), que assumem uma postura demasiadamente nacionalista e, principalmente, que defendam o autoritarismo como única forma de se conduzir com decência a administração pública.

A humanidade já viveu isso e sabemos bem aonde pode nos levar esse caminho.

Publicado por Debson Luís - [ ]


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